domingo, 17 de junho de 2012

Menino, contigo aprendi...

                                                           Eloá Silveira de Souza
Inverno gélido, chuvoso,
Áustero ao ser humano.
Que se refugia do rigor.
Meio à rua deserta e vazia,
Na sarjeta fez sua moradia,
Como refúgio para a sua dor...
E ali, exposto, sem guarida,
Desafiando chuva e vento
O menino mendiga comida,
Sem nada ter ao seu sustento.
Roubar não pode. E crime.
Mas, a fome é irresistível,
E à sociedade ele é invisível,
Como uma mísera criatura.
Sem ninguém, restou-lhe a rua,
Com suas dores e mazela,
Sua vida é uma novela
Numa realidade dura.
O destino foi-lhe enfadonho,
Tirando-lhe a beleza do sonho
Que toda a criança tem...
Por que as crianças sofrem,
Sem fazer mal a ninguém?
Menino da rua vivo-morto,
Sem sonhos e esperança,
Mas que ainda sabe sorri,
Nas tuas palavras serenas,
Nas tuas mãozinhas pequenas
Vazias, sem nada ter...
Além da vontade de sobreviver.
Tu trazes a mensagem de Deus...
Na grandiosidade do teu coração,
Tu és a vida em comunhão
Tu és um pedacinho meu...
Menino da rua, vazia e nua,
Conhecendo a dura realidade tua,
Vejo que tu és mais forte que eu.
Menino da rua, que me olha e sorri,
Irmãozinho da vida contigo aprendi
Que a vida é um porto no cais,
Uma viagem sem data, nada mais.
Uma história que escrevi e a não li.


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