Eis um belíssimo artigo que vale a pena ser lido e analisado
CORRUPÇÃO,
O MAL MAIOR
Diuturnamente,
recebemos notícias, pelos mais variados meios de comunicação, sobre a
ocorrência de corrupção nos centros de Poder Político. Não é nenhum exagero
afirmar que a desonestidade predomina no âmbito do Poder Legislativo, em menor
escala no Executivo, e, está também presente, mas em menor escala ainda, no
Poder Judiciário.
Já
faz muito tempo, talvez desde sempre, que a política não serve para o
atendimento dos anseios da população e sim para saciar a gula de corruptos e
corruptores descarados.
Pensem
comigo, imaginemos que o dinheiro que é surrupiado dos cofres públicos a todo o
momento fosse utilizado para o bem comum, fosse investido onde deveria ser: na
educação, segurança pública, saúde, estradas, geração de emprego.
Quem
não gostaria de ter escolas melhores para os seus filhos, com professores bem
remunerados, ou, então, ter um atendimento de saúde confiável, sem termos que
ficar sabendo de pessoas que morrem por conta da espera. Ou, ainda, poder
caminhar pelas ruas das grandes cidades na hora em que bem entender sem ter que
estar sempre em estado de vigilância extrema. Que bom seria se fosse
desnecessário gradear nossas casas e instalar inúmeros dispositivos de
segurança, por temor à criminalidade. E as estradas? Quem não quer viajar por
um asfalto limpo, sem buracos, por uma estrada bem sinalizada? Essa manutenção
contínua das estradas seria desnecessária se fosse construído um asfalto de
qualidade. Mas, em atendimento a interesses nebulosos, é preciso o envio de
recursos de forma periódica, campo minado para o desvio de dinheiro público. Na
Alemanha, o asfalto é construído uma vez e dura, no mínimo, para uma geração,
sem a necessidade de remendos. Isto é somente um exemplo, entre tantos.
Pos
é, saibam que uma vida melhor para todos seria possível se não houvesse tanto
desvio de recursos públicos. Desvio do nosso dinheiro.
É
por isso que, na minha concepção, ao invés de ficarmos discutindo sobre a
existência da pena de morte ou redução da maioridade penal, deveríamos pensar
nos peixes grandes. Naqueles que, praticando a canalhice com o nosso dinheiro,
causam o mal maior. E o pior é que este tipo de criminoso decide entrar na
delinquência por escolha própria, já que recebem um bom salário e teriam
condições de viver uma vida digna sem a necessidade de corromper-se, ao
contrário do ladrão de galinhas que, muitas vezes, parte para a criminalidade
por falta de escolha.
É
preciso recrudescer contra os criminosos do colarinho branco. Eles são os
verdadeiros bandidos. Não se pode mais aceitar tanta desonestidade sem punição.
A população não pode assistir passivamente e aceitar com naturalidade que
exercentes de cargos públicos/políticos surrupiem, na mão grande, o dinheiro
que poderia ser utilizado para conferir melhores condições de vida para nossas
famílias.
Em
“homenagem” aos nossos corruptos, segue um poema de Cecília Meireles, escrito
em 1953:
“DOS
ILUSTRES ASSASSINOS
Ó
grandes oportunistas,
sobre
o papel debruçados,
que
calculais mundo e vida
em
contos, doblas, cruzados,
que
traçais vastas rubricas
e
sinais entrelaçados,
com
altas penas esguias
embebidas
em pecados!
Ó
personagens solenes
que
arrastais os apelidos
como
pavões auriverdes
seus
rutilantes vestidos,
—
todo esse poder que tendes
confunde
os vossos sentidos:
a
glória, que amais, é desses
que
por vós são perseguidos.
Levantai-vos
dessas mesas,
saí
de vossas molduras,
vede
que masmorras negras,
que
fortalezas seguras,
que
duro peso de algemas,
que
profundas sepulturas
nascidas
de vossas penas,
de
vossas assinaturas!
Considerai
no mistério
dos
humanos desatinos,
e
no polo sempre incerto
dos
homens e dos destinos!
Por
sentenças, por decretos,
pareceríeis
divinos:
e
hoje sois, no tempo eterno,
como
ilustres assassinos.
Ó
soberbos titulares,
tão
desdenhosos e altivos!
Por
fictícia autoridade,
vãs
razões, falsos motivos,
inutilmente
matastes:
—
vossos mortos são mais vivos;
e,
sobre vós, de longe, abrem
grandes
olhos pensativos.”
Que
os assassinos não se enganem: os mortos estão vivos.
Jarbas
Buacoski
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