quarta-feira, 15 de maio de 2013


Eis um belíssimo artigo que vale a pena ser lido e analisado

CORRUPÇÃO, O MAL MAIOR

Diuturnamente, recebemos notícias, pelos mais variados meios de comunicação, sobre a ocorrência de corrupção nos centros de Poder Político. Não é nenhum exagero afirmar que a desonestidade predomina no âmbito do Poder Legislativo, em menor escala no Executivo, e, está também presente, mas em menor escala ainda, no Poder Judiciário.
Já faz muito tempo, talvez desde sempre, que a política não serve para o atendimento dos anseios da população e sim para saciar a gula de corruptos e corruptores descarados.
Pensem comigo, imaginemos que o dinheiro que é surrupiado dos cofres públicos a todo o momento fosse utilizado para o bem comum, fosse investido onde deveria ser: na educação, segurança pública, saúde, estradas, geração de emprego.
Quem não gostaria de ter escolas melhores para os seus filhos, com professores bem remunerados, ou, então, ter um atendimento de saúde confiável, sem termos que ficar sabendo de pessoas que morrem por conta da espera. Ou, ainda, poder caminhar pelas ruas das grandes cidades na hora em que bem entender sem ter que estar sempre em estado de vigilância extrema. Que bom seria se fosse desnecessário gradear nossas casas e instalar inúmeros dispositivos de segurança, por temor à criminalidade. E as estradas? Quem não quer viajar por um asfalto limpo, sem buracos, por uma estrada bem sinalizada? Essa manutenção contínua das estradas seria desnecessária se fosse construído um asfalto de qualidade. Mas, em atendimento a interesses nebulosos, é preciso o envio de recursos de forma periódica, campo minado para o desvio de dinheiro público. Na Alemanha, o asfalto é construído uma vez e dura, no mínimo, para uma geração, sem a necessidade de remendos. Isto é somente um exemplo, entre tantos.
Pos é, saibam que uma vida melhor para todos seria possível se não houvesse tanto desvio de recursos públicos. Desvio do nosso dinheiro.
É por isso que, na minha concepção, ao invés de ficarmos discutindo sobre a existência da pena de morte ou redução da maioridade penal, deveríamos pensar nos peixes grandes. Naqueles que, praticando a canalhice com o nosso dinheiro, causam o mal maior. E o pior é que este tipo de criminoso decide entrar na delinquência por escolha própria, já que recebem um bom salário e teriam condições de viver uma vida digna sem a necessidade de corromper-se, ao contrário do ladrão de galinhas que, muitas vezes, parte para a criminalidade por falta de escolha.
É preciso recrudescer contra os criminosos do colarinho branco. Eles são os verdadeiros bandidos. Não se pode mais aceitar tanta desonestidade sem punição. A população não pode assistir passivamente e aceitar com naturalidade que exercentes de cargos públicos/políticos surrupiem, na mão grande, o dinheiro que poderia ser utilizado para conferir melhores condições de vida para nossas famílias.
Em “homenagem” aos nossos corruptos, segue um poema de Cecília Meireles, escrito em 1953:

“DOS ILUSTRES ASSASSINOS

Ó grandes oportunistas,
sobre o papel debruçados,
que calculais mundo e vida
em contos, doblas, cruzados,
que traçais vastas rubricas
e sinais entrelaçados,
com altas penas esguias
embebidas em pecados!

Ó personagens solenes
que arrastais os apelidos
como pavões auriverdes
seus rutilantes vestidos,
— todo esse poder que tendes
confunde os vossos sentidos:
a glória, que amais, é desses
que por vós são perseguidos.

Levantai-vos dessas mesas,
saí de vossas molduras,
vede que masmorras negras,
que fortalezas seguras,
que duro peso de algemas,
que profundas sepulturas
nascidas de vossas penas,
de vossas assinaturas!

Considerai no mistério
dos humanos desatinos,
e no polo sempre incerto
dos homens e dos destinos!
Por sentenças, por decretos,
pareceríeis divinos:
e hoje sois, no tempo eterno,
como ilustres assassinos.

Ó soberbos titulares,
tão desdenhosos e altivos!
Por fictícia autoridade,
vãs razões, falsos motivos,
inutilmente matastes:
— vossos mortos são mais vivos;
e, sobre vós, de longe, abrem
grandes olhos pensativos.”

Que os assassinos não se enganem: os mortos estão vivos.
Jarbas Buacoski

Nenhum comentário:

Postar um comentário